O socialismo funciona? – “Economias planificadas e de propriedade pública funcionam?”

Comparada com o capitalismo, a economia planificada funcionou muito bem.

A União Soviética foi um exemplo concreto do que uma economia planificada pôde produzir: pleno emprego, pensões garantidas, licença maternidade paga, limites de horas de trabalho, cuidados médicos e educação (incluindo ensino superior) gratuitos, férias pagas, moradia barata, cuidado infantil a baixo custo, transporte público subsidiado e baixa desigualdade de renda.

A maioria de nós deseja tais benefícios. Entretanto, eles são alcançáveis permanentemente? É largamente acreditado que embora a União Soviética tenha produzido tais benefícios, no fim a economia de propriedade pública e planificada provou-se um fracasso. Caso contrário, como explicar o fim do país? Ainda assim, quando a economia soviética foi pública e planificada, de 1928 a 1989, esta cresceu de forma sólida ano a ano, exceto durante os anos de guerra.

Para ser claro, enquanto as economias capitalistas mergulharam em uma depressão profunda e solidamente caíram em recessões de poucos em poucos anos, a economia soviética infalivelmente não o fez, expandindo-se incessantemente e proporcionando emprego a todos.

Longe de ser um fracasso, a economia pública e planificada da União Soviética funcionou notavelmente bem.

O que não funcionava era o capitalismo, com suas ocasionais depressões, regulares recessões, desempregos em massa e extremos de riqueza e pobreza, tanto mais evidente hoje quando as economias capitalistas contraem ou mancam juntas, condenando inúmeras pessoas à inatividade. O que eventualmente levou à queda da União Soviética foi o pedágio acumulado sobre a economia soviética para derrubá-la, a intensificação da Guerra Fria pelo governo Reagan e a inabilidade da liderança soviética para achar uma maneira de escapar do prejuízo que tais coisas causaram.

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“Por que está na moda a calúnia anti-China?”

Na medida em que a República Popular da China (RPCh) se reforça nos terrenos comercial, econômico, militar, político, científico e diplomático, surge uma clara estratégia midiática que consiste em iniciar um trabalho de preparação da opinião pública a aceitar qualquer medida futura de retaliação comercial, política ou mesmo militar contra o país destinado a se tornar a principal potência no século XXI. Retaliações como a destruição de sua embaixada em Belgrado pela OTAN em 1999 ou como a guerra comercial lançada pela UE em 2005(1).

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O desenvolvimento econômico soviético versus o Ocidental, por Noam Chomsky

Noam Chomsky é reconhecidamente um anarquista, crítico tanto do capitalismo (e principalmente do imperialismo dos EUA) como dos modelos socialistas implementados a partir do século XX em diversas partes do mundo. No entanto, o intelectual estadunidense reconhece os grandes benefícios que o “socialismo real” levou aos povos do Leste Europeu e principalmente da União Soviética.

Em lembrança das conquistas da URSS, que desapareceu em 25 de dezembro de 1991, há exatos 25 anos, reproduzimos a resposta a uma pergunta sobre o suposto fracasso da experiência socialista soviética, em uma palestra realizada nos anos 90 nos EUA.

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Ficaremos todos sem emprego em breve. Um Futuro de Miséria ou de Liberdade depende de você

“Em qualquer fábrica de primeiro mundo, no lugar de operários agrupando peças e apertando parafusos, encontraremos diversas máquinas de última geração. Ao mesmo tempo, casas inteiras são construídas em poucas horas por uma impressora 3D gigante, envolvendo apenas uma ou duas pessoas no processo.”

Essa é a previsão do jornalista David Baker para os próximos anos, e ele não está exagerando, basta constatarmos o avanço da automação na vida diária dos cidadãos que vivem nos países centrais.

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Primeiramente, contra a PEC 55! Segundamente, fora Temer!

Dos problemas ainda atuais, um dos mais danosos à esquerda é o “politicismo”. Afirmo isso pois este é a raiz de uma concepção que tende a solapar tanto os esforços gastos atualmente pela militância quanto uma nova faísca de revolta desde junho de 2013 por ser mistificadora e assim levar ambos a um fracasso graças a um erro de foco muito possivelmente induzido conscientemente pelos nossos adversários. No caso, foco no ilegítimo presidente golpista Michel Temer ao invés da PEC 55.
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É um erro crasso subestimar o desenvolvimento capitalista que já tivemos!

É um erro crasso e comum subestimar o desenvolvimento capitalista que o país teve.

A influência do pragmatismo varguista e do nacional-desenvolvimentismo Cepalino contribuiu para que o Brasil marchasse para a industrialização e à relativa modernização por um longo período. Entre 1940 e 1980 o Brasil obteve um desenvolvimento satisfatório, criação de uma indústria integrada, heterogênea e construção de uma indústria de base estatal capaz de sustentar um desenvolvimento regular.

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Sodré: Burguesia Nacional VS Multinacionais (texto organizado e comentado por B. Torres)

Pequeno fragmento do livro “Capitalismo e Revolução Burguesa no Brasil” (da década de 1990) do célebre marxista brasileiro Nelson Werneck Sodré. Este excerto aborda a dinâmica das contradições (e até de conflito) que há desde o regime militar até os nossos dias atuais, entre a Burguesia Nacional e as Multinacionais.

Este fragmento foi organizado por B. Torres e foi complementado com comentários do mesmo (em coloração cinza e em itálico). Posterior ao fragmento, há um texto-anexo do próprio B. Torres.

Boa leitura.

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Para não restar dúvidas: O que é Socialismo? (por B. Torres)

Antes de qualquer coisa, quero dizer que este não é um texto que se pretende ser “panfletários”, o tipo de texto que pretende ser colocado em folhetos para fins de divulgação em trabalhos de massas. Não, este texto não possui essa pretensão.

Este texto possui, sim, a pretensão de introduzir as pessoas num debate teórico mais profundo, isto é, um debate conceitual, sobre o conceito de “socialismo”; ou pelo menos do que podemos definir conceitualmente como socialismo com base nas premissas básicas da aplicação concreta do socialismo e na doutrina do marxismo-leninismo.

A necessidade de um texto desse teor (que enfatiza a conceituação leninista do socialismo) vem das discussões que sempre surgem nos círculos da esquerda sobre haver ou não haver mais nenhum país socialista no mundo.

– Cuba é socialista? Sempre foi? Não é mais?

– A URSS foi socialista antes de 1928? O socialismo acabou com Stálin? O socialismo acabou já com Krushev na década de 50? Ou o socialismo foi solapado aos poucos tendo só restaurado o capitalismo de vez com as políticas de Gorbatchev e Yeltsin?

– A China é socialista ou capitalista? Há capitalismo na China? Há socialismo na China?

– E a Coreia do Norte? Também é socialista?

Todas estas dúvidas não serão saciadas diretamente por este texto. Mas para sanar todas elas, é necessário que se entenda antes o básico do conceito leninista de socialismo. E é isto que este texto vai tratar.

Sem ter uma base sólida do próprio conceito do que vem a ser o socialismo, você não pode apontar se determinado país é ou não é.

Não atribua ou renegue um conceito a algo ou alguém, se você não sabe com certa razoabilidade o próprio conteúdo deste conceito. Vale a máxima: Quem não estuda não tem direito a palavra.

Mas vamos lá.

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A definição de Capitalismo e Liberalismo & O anacronismo político dos liberais (por B. Torres)

Muitos liberais pautam o liberalismo como um sinônimo absoluto do capitalismo. Nós comunistas sabemos que são coisas plenamente interligadas, mas não são necessariamente a mesma coisa. Então, com base em referências históricas, esse texto deixa claro este mau uso do termo “capitalismo” (como algo equivalente a “liberalismo”).

É comum que as pessoas confundam o significado do termo Capitalismo, principalmente em debates, no entanto, isso é grave erro. Quando o termo capitalismo é cunhado como equivalente de liberalismo, legitima que indivíduos, por desonestidade intelectual preguem que “Se capitalismo = liberalismo, quanto mais liberal um país é, mais capitalista o país é”.

No entanto, são termos de significados diferentes.

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