Somos obrigados a ouvir que Engels deturpou Marx: os marxólogos VS a realidade (por B. Torres)

Agora somos obrigados a ver marxólogos ‘marxianos’ – ou seriam “marcianos” – dizer que Engels deturpou o marxismo!

A “polêmica”? Segundo a concepção de alguns, Marx não compreenderia a dialética “movimento incessante”, mas apenas como um “método expositivo”.

Dialética para Marx, seria supostamente apenas um método expositivo para analisar a sociedade. Enquanto que o “malvado” do Engels teria “deturpado” Marx a ponto de alegar que dialética seria a “lei de desenvolvimento”, o princípio do “movimento incessante com base nas contradições”.

Parece que há uma resistência por parte de certos “marxistas” em observar como os fundamentos básicos do empreendimento filosófico do marxismo se fazem presentes até mesmo em outros campos de estudo da ciência, tal como o mundo natural.

Ora, não foi Engels, mas sim o próprio Marx quem disse “a Origem das Espécies, ainda que esteja escrito à maneira inglesa ‘crua’ de apresentação, no campo da história natural, proporciona as bases para nosso ponto vista”.

Ora, pois, ele não se limita a esta declaração anterior, como também afirma que “a obra de Darwin é de uma grande importância para nós, e serve ao meu propósito, uma vez que proporciona bases (Nota: filosófica, filosofia da ciência, etc.) nas ciências naturais, para a história da luta de classes”;

Apesar de Marx não ter se voltado tanto a certos campos de análise (afinal, ele também não poderia tratar sobre “tudo”), as análises que Engels realizou nestes outros campos (como podemos ver Engels em “origem da família”, “dialética da natureza”, “o papel do trabalho na transformação do ‘macaco’ em homem”, etc.) não entram em momento algum em contradição com o marxismo.

Engels, a propósito, foi co-autor de inúmeros escritos com Marx. O próprio termo “marxismo”, apesar de ter se convencionado assim, não é nada mais do que um sinônimo das contribuições teóricas e metodológicas de Marx & Engels, e não apenas de Marx.

Ainda que Engels tenha tratado com maior atenção aspectos da antropologia “evolucionista” e das ciências naturais em geral, se comparado com Marx, o que Engels trata, por exemplo, no Anti-Dühring, faz parte do arcabouço teórico marxista tanto quanto outra obra de Marx.

O problema aqui é muito mais político do que teórico.

As pessoas que assim o fazem, defendem que o “socialismo real” é uma deturpação. Ora, é o caminho sinuoso pelo qual já conhecemos. Temos o “Stálin deturpou o leninismo”, o “Lênin deturpou o marxismo”, e agora o novo “Engels deturpou Marx”.

Estes senhores, talvez por quererem parecer mais importantes do que realmente o são, “mais sábios e perspicazes que o próprio Engels” (talvez achem) não percebem no limbo em que estão caindo.

Segundo eles, Engels deturpou Marx, ou mesmo não conseguiu interpretar corretamente as concepções teóricas de seu amigo e camarada. Em contraposição, logo, obviamente eles são os que verdadeiramente conseguem “interpretar Marx de forma correta”.

O problema está em observar o princípio do movimento incessante no mundo natural e material, e não apenas como um “método expositivo sociológico”? É este o problema?

O problema esta em acreditar que Engels deturpa a concepção ontológica do pensamento de Marx ao percebê-la que ela existe também no mundo natural? É este o problema, senhores marxólogos?

Estes senhores deveriam lembrar que o fato de Karl Marx exaltar a publicação da obra “A Origem das Espécies”, por exemplo – apesar de realizar ressalvas sobre a forma “crua”, a “maneira inglesa” – o faz justamente porque ela provava sua concepção ontológica, também, no mundo natural!

A descoberta “recente” do átomo e a sua composição subatômica negativa/positiva, é outro fator que prova o princípio da contradição. As mais recentes descobertas sobre a física quântica que tratam sobre o comportamento “estar/não estar” (“ser & não ser”) de determinados elementos que se comportam enquanto partícula e enquanto onda simultaneamente, são outros elementos que provam o empreendimento filosófico marxista, sobretudo se nos debruçarmos Anti-Dühring (o “compêndio” do marxismo).

Se Engels se aprofundou em tal tema e Marx não, está não é a questão. O fato de Marx tratar pouco ou com pouca profundidade de certos aspectos das ciências naturais, enquanto o seu amigo inglês se aprofundou na filosofia da ciência, no mundo natural, mais do que ele, não torna tais contribuições “menos marxismo”, menos provada, nem menos real.

O “movimento incessante”, a “contradição”, a “negação da negação”, se faz presente em todos estes campos. Darwin nos trouxe isso (e quem o admite é o próprio Marx), as descobertas da química, física, termodinâmica (estas dos quais Engels aborda melhor), e até a mecânica quântica, tem nos provado isso.

Os marxólogos, pretensos “marxistas”, têm que fazer muito mais além de atacar Lênin, Engels e outros teóricos. Para provar seu ponto de vista, eles precisam atacar o próprio mundo natural e material. Eles tem de atacar a própria realidade.


13151765_1738868329687644_4872040907970759605_nB. Torres é militante do NP (Nova Pátria) e coordenador de estudos do CMNE. Costuma abordar o Movimento Comunista Internacional, o Marxismo-Leninismo, a Realidade Brasileira e o Nacionalismo de esquerda.

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7 comentários sobre “Somos obrigados a ouvir que Engels deturpou Marx: os marxólogos VS a realidade (por B. Torres)

  1. Se você tivesse alguma noção acerca do materialismo de Marx, não viria com essa metafísica chula de “contradição como princípio da natureza”. É interessante notar que Engels não fala das “Teses Provisórias” de Feuerbach e, talvez por isso, não entendeu o materialismo da mesma maneira que Marx – tal como este expôs nos seus escritos “Crítica de Kreuznach” (1842) e “MEF” (1844). É uma pena que ambos só tenham sido publicados em 1927. Dessa forma, podemos dar um crédito a Engels. Mas não a você.

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    • HG Erik, tudo bom, senhor? Então. Você parece ser alguém bem “erudito”. Então acredito que entenderá.

      Os Manuscritos de Paris podem ter sido publicados em 1927, mas a discussão acerca da dialética advém de bastante tempo. Você parece ter lido, assim como eu, os manuscritos de paris, mas parece que não se deu ao trabalho de entender o conceito de Dialética em Heráclito.

      É curioso como chamam a nós de “bolchevistas dogmáticos”, quando ao mesmo tempo você não consegue absolver e levar a cabo nada para além de Marx (quando muito, Lukács). Talvez lhe faça bem sair um pouco de sua “viseira de cavalo” e ler sobre a filosofia da ciência.

      Talvez você devesse estudar as descobertas científicas, que não se limitam a própria Origem das Espécies (do qual Marx RECONHECEU como uma obra científica que dava ajudava a dar BASES – no campo da ciência natural – a sua filosofia). Leia também sobre termodinâmica, sobre mecânica quântica, etc.

      Leia sobre filosofia. Sobre os debates entre filosofia aristotélica (estática e eterna, aí sim, “metafísica” e cristalizada, o logicismo formal, o “ser” ou “não ser”) em contraponto a dialética de Heráclico (nada é estático, tudo é movimento, nada é eterno exceto a mudança, “ser & não ser”, a superação do logicismo aristotélico, o eterno devir, o ser = vir a ser).

      Compare estas observações filosóficas com a maneira como se desenvolve o mundo natural. Aí talvez um dia você entenda porque Marx viu na obra de Darwin uma “base” numa ciência natural que ajudava a fundamentar sua base filosófica. Talvez aí você entenda o que Engels quis dizer com o princípio da negação da negação no Anti-Dühring.

      Talvez aí você entenda que marxismo, enquanto uma corrente científica, não se resume a “engessar” as palavras de Marx, mas justamente em levar a cabo seu método de maneira científica e não-dogmática.

      Os manuscritos de Paris foram publicados em 1927, Erik, e você vem me condenar por supostamente eu não tê-lo “lido”. No caso, você não pode “me dar o crédito”. Bem, o debate acerca da dialética permeia a filosofia clássica grega, desde há mais de dois milênios, e você vive em 2017 tanto quanto eu, então, acredito que quem não mereça o crédito aqui seja você.

      Se quiser de fato começar a entender alguma coisa: https://portalvermelhoaesquerda.wordpress.com/2017/02/12/ser-e-nao-ser-eis-a-questao-dialetica/

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  2. Caro Patriota,

    Talvez você saiba que “dialética” é um termo que não apenas caracterizaria os filosofemas de Heráclito, mas que Platão, Kant, Fichte, Schelling, Hegel, Proudhon e outros mais reivindicaram para suas filosofias também.

    Mas você quer crer que é a mesma coisa em cada um deles. Que tal procurar saber o que Hegel falou do esquematismo “tese-antítese-síntese” de Schelling?

    Sua pretensão de possuir legitimidade em se declarar marxista ao mesmo tempo que acusa alguém de não conseguir “absolver” nada “para além de Marx” é simplesmente cômica. E ainda chama isso de “viseira de cavalo” – que só cairia com as firulas da filosofia da ciência, a mais burguesa de todas as filosofias!

    Marx está muito acima de qualquer filosofia da ciência, mas um leitor do Tijolaço não tem muito como perceber isso.

    O que é algo que se mostra evidente em sua defesa da contradição enquanto “princípio” da natureza como sendo do âmbito da ciência – quando ela é pura postulação metafísica; ou, na melhor das hipóteses, apenas um nome que se decalca sobre os mais diversos fenômenos, donde ser tão geral quanto vazio e, portanto, nada ter a dizer de coisa alguma.

    Nenhuma descoberta científica, seja em biologia, física ou o escambau, demonstra a tal contradição na natureza. Por exemplo, o comportamento de onda e partícula de um elétron não tem nada de contraditório. Trata-se apenas de seu ímpeto de colar este rótulo sobre o fenômeno, o que não muda nem a coisa, nem o conhecimento dela. Reles crença provinda de um voluntarismo “científico” de escola fundamental.

    Se você tivesse a mínima noção acerca de Aristóteles, não estaria confundindo-o com Parmênides. E deveria procurar ler Platão e identificar o problema que ele vê, justamente a partir de Parmênides, para a metafísica dialética de Heráclito.

    No entanto, se isso permanece um mistério para você, que tal você sair de sua bolha filosofista nefelibata e demonstrar Heráclito na prática? Procura um geógrafo e diz pra ele que é impossível entrar no mesmo rio duas vezes.

    O que fez Marx se entusiasmar com Darwin não foi nenhuma metafísica da “negação da negação”, mas sim o caráter materialista, não-teleológico, da obra do inglês.

    De resto, sua bobajada acerca do “método científico e não-dogmático” do marxismo é pura tara filosófica burguesa, que você quer enxertar num pensamento que faz justamente a crítica do epistemologismo.

    Tanto é assim que você acusa os marxianos de entenderem a dialética em Marx enquanto método <> para <> a sociedade. Decida-se: ou eles dizem ser um método expositivo, ou é um método de análise. Exposição não é análise, mas síntese do que foi analisado antes.

    Eles também não dizem ser um método expositivo “sociológico”. Marx não é sociólogo, e economia política não é objeto da sociologia. Já ouviu falar em faculdades de ciências humanas? Procure uma e descubra a diferença entre essas áreas.

    O problema aqui é, de fato, mais político do que teórico. Pois o que você faz é afirmar seu desentendimento politicamente orientado contra o que supostamente defende, e faz isso na medida em que pretende retalhar o marxismo para caber nesse caixote eclético e obtuso do patriotismo e nacionalismo – e que se foda Marx e o resto.

    Como prova, basta comparar o que você diz com as considerações de Marx acerca do método dialético da “metafísica da economia política”, capítulo 2 da “Miséria da Filosofia”; e, a respeito da dialética enquanto método de exposição, ler o posfácio da 2ª edição de “O Capital”. Nem um, nem outro foram escritos por marxianos. Donde o que te resta é dizer que o marxismo, apesar do nome, deve muito menos a Marx que a Heráclito, Engels e Stalin.

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    • A dualidade onda-partícula não tem nada a ver com luta dos contrários ou princípio da contradição, Erik? Em que mundo você vive?

      Você nega a lei dinâmica do desenvolvimento que se expressa no mundo material, seja social, seja natural, na concepção de que isso seria “metafísica”?

      Metafísica, Erik, é crer que a realidade natural pode ser compreendida com base nos fundamentos aristotélicos, no logicismo formal.

      Dialética não foi algo tratado apenas por Heráclito (se você não falasse, eu nem descobriria, hein), mas ele é um dos fundadores do conceito, e uma das bases que seguem na linha do que Engels aborda.

      O seu problema está em se apegar a uma – suposta – semântica. A uma suposta necessidade de que: “se Marx não falou desse assunto então não está correto”.

      A dinâmica do desenvolvimento pode ser observada em vários campos de maneira GERAL (o que não exclui a necessidade das observação de cada um destes campos de maneira PARTICULAR).

      Como Engels diz:

      “Já se disse que o processo que atravessa, por exemplo, o grão de cevada, desde a sua germinação até que desapareça a planta a que ele deu a vida, é uma negação da negação, e, com isto, não se pretende, de modo algum, prejulgar o conteúdo concreto deste processo.

      Pois, se se pretendesse afirmar o contrário, quando se sabe que o próprio cálculo integral – como já vimos – é também negação da negação, seria cair no absurdo de sustentar que o processo de vida de um grão de cevada equivale ao cálculo diferencial, e o que fazemos com o cálculo diferencial poderíamos aplicar até ao socialismo. Isso é o que os metafísicos constantemente criticam na dialética.

      Quando se diz que todos esses processos têm de comum a negação da negação, o que se pretende é englobar a todos, sob esta lei dinâmica, sem se prejulgar, no entanto, de modo algum, o conteúdo concreto de cada um deles.

      Esta não é a missão da dialética. que tem apenas por incumbência estudar as leis gerais que presidem à dinâmica e ao desenvolvimento da natureza e do pensamento”.”

      O logicismo formal aristotélico não fundamenta filosoficamente a Teoria da Evolução, a mecânica quântica, os computadores quânticos, a termodinâmica, etc., etc. Entretanto, todavia, a concepção dialética fundamenta tais teorias, e não só a fundamenta, como elas fundamentam a própria concepção dialética.

      A filosofia pode não ser uma ciência, mas é mãe de todas elas, e precisa dar bases as mesmas. Seja as bases epistemológicas, as bases ontológicas. A ciência sem a filosofia não é nada. A compreensão deste aspecto não é aderir a uma “ciência burguesa”.

      Separar o materialismo dialético, que é uma concepção integral do mundo material (social e natural), das suas bases científicas, esta sim é um papel das ciências burguesas.

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    • Quem diz que a dualidade onda-partícula é uma “luta dos contrários” ou manifesta o princípio da contradição é você, patriota. Onde vc vê contradição, os físicos vêem dualidade.

      Sim, eu nego a “lei dinâmica do desenvolvimento” seja onde for. Nada na natureza inorgânica aponta para um desenvolvimento da natureza orgânica, e nada nesta aponta para o desenvolvimento do ser social.

      Sua “lei” é metafísica, porque se situa acima da natureza e da sociedade, acima da história natural e daquela decorrente da atividade social. Em uma palavra, ela é uma teleologia.

      Eu não afirmo que “se Marx não falou desse assunto, então não está correto”. Eu afirmo o contrário: Marx falou exaustivamente desse assunto, e demonstrou porque não está correto. Consulte a Ideologia Alemã (especialmente os capítulos sobre Max Stirner).

      Para comprovar suas afirmações vc não cita Marx, mas Engels (como de costume no underground do marxismo…), que é justamente o que está em questão.

      Ora, “estudar as leis gerais que presidem à dinâmica e ao desenvolvimento da natureza e do pensamento” é coisa que a física faz, exceto porque ela não pretende que o pensamento seja físico. Portanto, se se trata de um estudo para um além da física – que abarque objetos físicos e não-físicos -, só podemos estar no âmbito da ontologia (que não pretende ser uma “ciência” nos moldes burgueses – afirmar um método a priori e decretar leis -, mas sim delinear um estatuto de categorias gerais e suas relações) ou da metafísica (seja aristotélica, tomista, leibniziana, hegeliana ou o escambau, todas pretendem ser fechadas, sistemáticas e ter uma constituição tão científica ou racional quanto a da matemática, e aspiram ter algo mais que dizer que a realidade “é dialética”, com o que não se diz nada de coisa alguma).

      Marx não usa o termo “ontologia”, historicamente viciado por sua aproximação com “metafísica”, mas sim “novo materialismo” (Ad Feuerbach) ou simplesmente “materialismo”. No bojo deste entendimento ontológico é que ele irá criticar a Santa Madre Dialética em várias de suas obras (igual espanto se produz na cabeça de coxinhas e detratores quando se afirma que Marx nunca defendeu, mas ao contrário criticou violentamente, todas as diversas formas de socialismo).

      Não se trata, pois, de separar o “materialismo dialético” de coisa nenhuma, mas sim de notar que quem pressupõe uma separação entre filosofia e ciência é justamente quem usa esses termos “materialismo histórico” e “materialismo dialético” (jamais vc irá encontrá-los em Marx).

      A propósito, e enfim: com base nos fragmentos que chegaram a nós, é impossível afirmar que Heráclito tratou de uma dialética qualquer, muito menos que ele fundou o conceito. Vc tirou isso do livro de Lassale “Heráclito, o Obscuro”, que é uma “interpretação” entre mil, e que é tão arbitrária quanto as demais.

      Abraços

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    • “Onde você vê contradição eu vejo dualidade”.

      E o que seria a dualidade, então, Erik? Consiste numa simples questão: “Determinado elemento é partícula? É! Determinado elemento é onda? É!”, ora, nisso reside algo “contraditório”. Um elemento natural, é uma coisa e é outra distinta ao mesmo tempo. Isso escapa a “lógica” formal. Isso é um elemento básico de contradição, e não é a particula que faz o eletron, nem é a onda que faz o eletron… Apenas os dois ao mesmo tempo é que são de fato o eletron.

      No próprio decaimento atômico, você tem um problema aí de instabilidade do núcleo. O componente positivo está constantemente negando o não positivo, e vice-versa, gerando instabilidade nuclear. Esta instabilidade resulta na busca de uma nova forma atômica em prol da estabilidade, constituindo-se na transformação de um elemento em outro. A luta dos contrários presente no núcleo atômico, a negação de um pelo outro, gerou uma transformação de qualidade, do qual agora a nova forma nega a velha. E isto é uma lei presente no mundo natural.

      Ao que parece, a sua birra com estas descobertas ou teorizações são birras mais por nomenclaturas, do que propriamente pela descoberta dos fenômenos. O problema está em chamar negação da negação, movimento, etc., etc., em dialética? É este o problema? Semântico?

      Ora, não só isso, como você parece acreditar que este tipo de leitura também subestimaria os estudos da própria ciência em específico. Como se, se reconhecêssemos que átomos estão submetidos a lógica da dialética (enquanto lei do desenvolvimento), tomássemos o estudo da Física como desnecessária, “bastaria estudar dialética e pronto, e você já entenderia física, biologia, sociedade”.

      Bem, se você fosse mais inteligente (ou mais atento), perceberia que isso é uma falsa polêmica: admitir a universalidade da dialética não significa tomar por desnecessário o estudo das ciências em específico. A sistematização das ciências, seja as do tipo “macro” (entre ciências naturais, sociais, e etc.), seja as de maior recorte em âmbito mais específico (entre ciência ‘física’, ciências ‘biológicas’, ciência ‘química’, ciência ‘histórica’, etc), contribuem para a organização do conhecimento humano, assim como contribuem para um melhor aproveitamento das pesquisas num ramo “específico” do conhecimento geral da humanidade. Alegar que entender filosoficamente a dialética, desmereceria o conhecimento específico de cada ciência (como “dizer que o núcleo atômico também passa por uma luta dos contrários, seria tornar desnecessário o estudo dos Físicos que pesquisam sobre instabilidade atômica”) é uma falácia sem tamanho.

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