O atentado forjado do renegado Trotsky (por B. Torres)

O documentário “El asesinato de Trotsky”[1] é uma mina de ouro. Ele serve para expor quem foi Trotsky (um renegado e traídor) pelas palavras dos seus próprios defensores!

Há vários documentários sobre o assassinato de Trotsky, mas este em particular tenta ser o mais “investigativo” possível, com reconstituições de cenas por meio de atores. O recurso de colocar intelectuais, familiares, etc., comentando no decorrer do documentário existe, mas ele dá mais espaço para a reconstituição das cenas.

Obviamente, o documentário se lança a defender o legado de Trotsky e dos que lhes defenderam, e trata de pintar a União Soviética de Stálin como convencionalmente ela é conhecida: um regime autocrático controlado pelo velho Stálin, que perseguia as dissidências por sede de poder, sendo Trotsky uma de suas maiores vítimas.

O mais curioso sobre o documentário, é a reconstituição do 1º atentado que Trotsky sofreu na Cidade do México.

Os relatos são construídos com base nas próprias fotos, investigação das autoridades mexicanas (que tinham Trotsky como protegido), e pelos relatos dele (do Trotsky) e pessoas que presenciaram o ocorrido. Mas o que me admira no documentário, no que se refere ao primeiro atentado, é a fidelidade com os fatos (intencional ou não) por parte dos envolvidos na produção do documentário, incluso aqui, o neto do próprio Trotsky, que está isento de ser uma personalidade “stalinista”, que fosse atacar Trotsky (pelo contrário, em seu histórico, seu neto o defende com unhas e dentes).

Mas voltemos ao atentato e a residência em que Trotsky vivia protegido.

1º Obstáculo: Trotsky vivia num bairro residencial na cidade do México. Sua rua tinha apenas duas entradas, ambas cheias de viaturas da polícia local, 24hrs por dia, a todo momento. Quem quisesse pegar Trotsky teria de passar por essa primeira barreira, numa das pontas da rua.

2º Obstáculo: Após isso, ao chegar no bunker, a pessoa se depara com um portão de aço reforçado, do qual só é possível entrar a partir de uma senha, de conhecimento apenas do pessoal da segurança particular de Trotsky, e nisso, pela noite paira a escuridão mas há uma luz que se volta apenas para os seus rostos, permitindo a identificação plena de quem vai entrar. Só se colocando contra luz, e com a senha correta, abririam o portão de aço reforçado para você. Quem quisesse pegá-lo também teria de ultrapassar mais esta barreira.

3º Obstáculo: Não bastasse tudo isso, dentro do bunker havia a segurança de voluntários trotskistas, que se revesavam pelo turnos diurno (trotskistas mexicanos) e noturno (trotskistas americanos). Todos armados para defender seu querido líder. Esta seria, mais uma vez, mais uma barreira a ser ultrapassada: enfrentar os seguranças particulares de Leon.

Até aí podemos ver que, para alguém vir a cometer um atentado contra ele, as dificuldades são tamanhas. Depois de tudo isso, a única coisa que faltaria para chegar a Trotsky, seria a entrada de seu quarto, que possui uma porta de madeira fácil de arrombar (com chutes ou até com tiros). Obviamente, esta seria um “obstáculo” tão fácil para se chegar a Trotsky, que não vale nem contar como um 4º obstáculo.

Agora vamos a recapitulação do que aconteceu.

Aqueles que cometeram o atentado passaram tranquilamente pelas viaturas (1ª barreira). Entraram no bunker, sob a “hipótese” (versão trotskista) de que um dos trotskistas americanos do turno da noite, estava comprado pelos inimigos de Leon, e permitiu a entrada deles (2ª barreira). E toda a guarda de seguranças particulares e voluntários de Trotsky, ninguém fez nada sequer com os “invasores”, nem mesmo um tiro para assustar. A guarda de seguranças particulares e trotskistas alegou posteriormente ter ficado amedrontada, e “sem reação” [2]. Resolveu-se o último obstáculo: os homens armados do bunker (3ª barreira).

Os “invasores” estavam com a faca e o queijo na mão.

As viaturas não foram um problema, o portão de aço reforçado do bunker não foi um problema, e a guarda particular armada não foi um problema. Eles tinham tudo para assasinar Trotsky, e lhes faltava apenas entrar no quarto do sujeito e atirar no próprio. Tudo que separava eles do seu alvo, era uma porta de madeira.

Viaturas, bunker, guarda armada. Tudo isso foi ultrapassado. Mas uma porta de madeira não foi.

Os invasores então posaram de frente para o quarto de Trotsky, e de maneira deliberada atiraram na parede do quarto apenas da altura de mais de 1 metro para cima. Nenhum tiro abaixo dessa altura.

Na versão de Trotsky, o mesmo se jogou para debaixo da cama ao perceber os tiros. Isso, se realmente ele se jogou, e não estava debaixo da cama desde antes de terem começarem os tiros.

O que nos leva a crer que um grupo de profissionais que consegue 1) se desviar de viaturas, 2) se infiltrar num bunker, 3) “intimidar” guardas particulares armados (isso se realmente eles foram intimidados) e que está bastante determinado a te matar, vai deixar de passar por uma simples porta de madeira para lhe alvejar diretamente?

Esses primeiros fatos já nos mostram as contradições mais evidentes do ocorrido. Já são suficientes para suspeitar que o atentado não foi tão “verdadeiro” assim.

Entretanto, todavia, não há só isso.

Eles não só deixaram de adentrar no quarto para assassinar Trotsky (o que já nos indica com grande peso a fraude do incidente), como também, de maneira deliberada, não realizam nenhum tiro abaixo da altura de 1 metro!

Qual grupo de assassinos profissionais tão determinado a matar alguém, que consegue ultrapassar todos estes obstáculos citados, vai deliberadamente atirar a partir de uma altura de linha, dando grandes chances de sobrevivência para seu alvo?

Outro fato que nos reforça a fraude, é o fato de que na própria versão trotskista do ocorrido, os invasores que tentaram assassinar tinham colaboradores na polícia e na segurança particular de dentro do bunker. Se as próprias autoridades mexicanas, que estavam encarregadas de protegê-lo, estavam também envolvida (ou no caso, parte dela) num complô de assassinato ao Trotsky, não era necessário a simulação de uma invasão: eles mesmos poderiam resolver na surdina e sumir.

Entretanto, era necessário criar uma situação, uma “narrativa” de um fato político. Fazer parecer que os “stalinistas soviéticos” lhe mandaram matar num atentado.

É necessário ter ciência desses fatos para entender o porquê dos comunistas considerarem Trotsky um renegado. E não pensem que o ódio dos comunistas mexicanos ao Trotsky se dava apenas pelas “richas” internacionais: ele era o protegido de um dos órgãos de repressão que mais perseguiam comunistas no México!

Isso (ser protegido por órgãos anticomunistas mexicanos) já nos deixa evidente como Trotsky era apenas um instrumento, uma peça quase teatral, a serviço do imperialismo e da reação internacional. E a realização de um atentado forjado, para criar um fato político, difamando a imagem (já tão atacada pelo imperialismo) do Estado soviético, assim como também a imagem de Stálin, só provam o tipo de seu caráter, a sua – falta de – moral.

Espero que entendam de uma vez por todas do porquê não podemos equiparar a importância de Josef Stálin, com a “importância” fabricada e forjada do renegado Trotsky.


13151765_1738868329687644_4872040907970759605_nB. Torres é militante do NP (Nova Pátria) e coordenador de estudos do CMNE. Costuma abordar o Movimento Comunista Internacional, o Marxismo-Leninismo, a Realidade Brasileira e o Nacionalismo de esquerda.
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NOTAS

1. – Para quem deseja ver o documentário segue o link abaixo. Lembrando que está em espanhol.

2. – Nem fazem questão de esconder como os trotskistas, tipicamente, se comportam como covardes. Em todo caso, se não foram covardes, mas sim agiram de maneira deliberada a mando de Trotsky, então de covardes, a sua guarda de voluntários passa a ser imoral, mentirosa.

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