A farsa intelectual dos pós-modernos

Em filosofia, o pós-modernismo (não confundam com o movimento artístico) é uma reação negativa à modernidade. No geral, o termo é paradoxo, porque além de não existir algo como “pós-modernismo”, este rótulo serve para designar precisamente, filosofias abstrusas e típicas do pós-guerras inspiradas no antigo irracionalismo de Nietzsche, no existencialismo, na fenomenologia de Husserl e mais remotamente, no naturalismo (tipo o Rousseauliano, mas não o Darwinista) e até na dialética hegeliana (um livro muito bom sobre o tema é o “Explaining Postmodernism: Skepticism and Socialism from Rousseau to Foucault” de Stephen Hicks).

Na imagem, o antropólogo, sociólogo e “filósofo” pós-moderno Bruno Latour.

A ideologia pós-moderna em si teve seus precursores na Escola de Frankfurt antes do período da Segunda Guerra, mas foi só bem mais tarde que elas conseguiram se popularizar com tamanha força como vemos hoje.

Atualmente, os pós-modernos estão ligados ao círculo de Humanidades e aos movimentos político-sociais da “extrema-esquerda”. São grupos e partidos políticos que tomam como base os ideais da denominada New Left (ou Nova Esquerda) – um antigo movimento intelectual de esquerda que surgiu a partir da década de 60, que marcou o período do pós-guerra.

O abuso intelectual dos pós-modernos

Os pós-modernos tendem a desprezar a ciência como motor de progresso na modernidade, enxergando-a como uma ferramenta opressora. Visam também tirar a relevância epistêmica que a ciência possui em relação aos mitos, superstições e pseudociências. Para eles, a ciência não é melhor e nem pior que as religiões e mitos para explicar a realidade (aqui eles adotam o relativismo epistemológico como um dos componentes para sua base de pensamento).

Adotam o relativismo cultural ignorando suas implicações morais (um artigo muito bom sobre o tema é o “Relativismo Cultural em Pauta” do Kherian Gracher), adotam o culturalismo (um dos ramos que foram trabalhados no campo antropológico juntamente com a psicanálise), negam o universalismo filosófico, que diz que fatos universais podem ser conhecidos e, portanto, ignoram que a moral possa ser construída universalmente. Isto é, existe uma moral universal? Essa problemática não interessa aos pós-modernos.

Os pós-modernos rebaixam a orientação sexual a um mero “constructo social”, ao invés de aceitarem que ela faz parte de um componente biológico, genético, neurológico e psicológico em relação a sua origem e desenvolvimento.

Também são caracterizados como irracionalistas (todo pós-moderno é irracionalista, mas nem todo irracionalista é pós-moderno) porque desprezam a razão, a ciência e as técnicas e acreditam que a ciência está “arraigada” à ideologia de uma determinada cultura (e que ela depende única e exclusivamente do desejos pessoais de políticos e empresários). Ou seja, confundem ciência com ideologia, ciência com técnica, e culpam a ciência e a técnica pelo caos no mundo (aquecimento global, por exemplo), ao invés de perceberem que o problema é político e não no uso da técnica como motor de progresso científico-tecnológico.

Alguns exemplos dos abusos intelectuais dos pós-modernos

(Trecho retirado do texto "Os Farsantes Pós-modernos" da UFRGS.)
  1. Jean Baudrillard: Cita de forma errada ou de maneira obscura praticamente toda a física e a matemática moderna, da Relatividade à Teoria do Caos – muitas vezes num único artigo – para criar metáforas sobre a atualidade.
  2. Paul Virilio: Cita de forma errada a teoria da Relatividade, a Mecânica Quântica e o teorema de Gödel para escrever sobre o impacto da velocidade e da tecnologia na sociedade atual.
  3. Julia Kristeva: Cita forma errada praticamente toda a matemática – a lógica booleana, a topologia, a teoria dos conjuntos, o teorema de Gödel – para explicar a poesia e literatura.
  4. Gilles Deleuze e Félix Guattari: Citam de forma errada a teoria do caos, a mecânica quântica, a termodinâmica – em frases quase sempre ilegíveis – para escrever sobre filosofia e psicanálise.
  5. Regis Debray: Cita de forma errada o teorema de Gödel para explicar o “segredo de nossas misérias coletivas”. E por ai vão eles em um rosário de imposturas, como bem diz o Alan Sökal.
  6. Bruno Latour: Cita de forma errada, por exemplo, a teoria da Relatividade ao escrever sobre Sociologia da Ciência. Entretanto, ele tem um enorme fã clube entre certos “educadores em ciência”. Latour foi ironizado publicamente pelo Premio Nobel de Física Steven Weinberg por escrever ridículas abobrinhas sobre a teoria da Relatividade.

No último caso, Bruno Latour escreveu:

“Como podemos decidir se uma observação, feita num comboio, acerca do comportamento de uma pedra que cai, coincide com a observação da queda da mesma pedra feita do cais? Se há um, ou mesmo dois, sistemas de referência, não se pode encontrar nenhuma solução… A solução de Einstein é de considerar três atores.“

Steven Weinberg (ganhador do prêmio Nobel de Física) respondeu de forma direta ao Latour:

“Isto está errado! Na teoria da Relatividade não há dificuldade em se comparar os resultados de dois, três, ou qualquer número de observadores.“


Leituras Recomendadas

Artigos

Livros

Vídeos

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s