Eduardo Velasco: Homo Carnivorus, ou Revolução Carnívora: a Caça, a Carne e o Fogo como Aceleradores Evolutivos

“Nos tempos mais distantes, os homens viviam na escuridão e não tinham animais com que caçar. Eram pessoas pobres, ignorantes, muito inferiores às que vivem hoje em dia. Se deslocavam em busca de comida, viviam viajando como nós, mas de modo diferente. Quando paravam e acampavam, trabalhavam o solo com ferramentas de um tipo que já não conhecemos. Obtinham sua comida da terra. Nada sabiam de toda a caça que temos agora”.

(Aua, xamã da etnia esquimó iglulik).

“O homem, quando desgarrou do ramo dos primatas há quatro milhões de anos, a nível de Australopiteco, fez porque deixou de ser um primata vegetariano e frugívoro para transformar-se num primata caçador”. 

(Félix Rodríguez de la Fuente).

Considero oportuno dedicar um artigo ao assunto da paleontologia evolutiva nutricional, dado que em nosso idioma a informação é sumamente escassa — e os meios com pouca informações, podem e geralmente fazem prosperar todos os tipos de falácias. Os lixos nutricionais são particularmente graves, já que atentam contra nossa saúde, contra nossa reprodução e contra nosso código genético. Portanto, afetam toda a espécie e é de interesse que se extirpem para garantir o futuro evolutivo da humanidade.

Atualmente é incrível a má reputação que tem o colesterol e os alimentos animais, enquanto que outros alimentos extremamente nocivos monopolizam as prateleiras dos supermercados e chegam aos estômagos de países inteiros.

A caça foi a principal dirigente de nossa evolução, que selecionou qualidades como a inteligência, reflexos rápidos, sentidos mais afiados, instinto territorial, uma melhor comunicação em grupo, o espírito de equipe, um espaço vital mais amplo, a beleza e a ferocidade. Como veremos nesse artigo, a carne, o sangue, a gordura, o tutano, os miolos e as vísceras, presidiram e alimentaram o desenvolvimento de nossa inteligência, e contribuíram por sua vez para fazer de nós predadores cada vez mais eficazes. Literalmente, o aumento de alimentos animais nos desaproximou dos macacos e nos aproximou dos anjos.

Os antigos hominídeos de origem símia e predominantemente frugívoros, foram ascendendo degraus até colocar-se no topo da pirâmide trófica no momento em que deixaram de ser presa doutros predadores. A base da pirâmide, a carne-de-canhão, são seres vivos vegetais que produzem sua própria energia a partir do solo ou do mar (minerais, matéria orgânica, água), e do céu (luz solar, ar). O escalação seguinte da pirâmide, mais reduzido, provém da aparição de seres com maior consciência (os herbívoros) que se alimentam do escalão anterior. O escalão superior, mais aristocrático, parece ter um maior nível de consciência: se trata dos carnívoros e onívoros, que se alimentam de todos os escalões anteriores. Esse artigo será dedicado à longa odisseia da ascensão da pirâmide, passo a passo, até chegar nas formas de vida mais perfeitas que existem. (Noutro artigo veremos como o homem decaiu do alto da pirâmide com a aparição da agricultura).

A carne e a caça, juntamente com outros fatores (tal como as oscilações rítmicas da frente glacial, o uso de ferramentas e o fogo, a necessidade de cuidar de crias muito indefesas e a aparição da vida social), explicam a aceleração evolutiva sem precedentes que os hominídeos experimentaram, levando a cabo “saltos genéticos” sem comparação no mundo animal. Os primeiros primatas (que viveram na China por volta de 30 milhões de anos atrás e não eram do tamanho de um polegar) levaram mais de 25 milhões de anos para chegar no Australopithecus. Este, por sua vez, levou mais de 2 milhões de anos para chegar ao Homo erectus. Esse impressionante progresso empalidece perante o enorme salto que supôs passar, em tempo recorde (menos de dois milhões de anos), dos 1.000 cc de capacidade craniana (Erectus) a superar os 1.700 cc (Cro-Magnon).

As forças da evolução parecem ter personificado de uma maneira muito clara no ramo dos primatas do qual pertencemos (em uns ramos mais que outros), enquanto que outras espécies animais (como os tubarões, crocodilos ou as baratas) praticamente não mudaram nada em dezenas e até centenas de milhões de anos. Essa aceleração evolutiva, difícil de ser explicada unicamente pelo darwinismo, ainda não terminou. Ainda não está completa a criação do tipo humano que herdará a Terra definitivamente. Do mesmo modo que os antigos construtores de catedrais trabalhavam em seu labor sabendo que nunca chegariam a ver a obra completa, nós temos o dever de prosseguir essa evolução alcançando formas de vida cada vez mais superiores e conscientes, sabendo que não vamos presenciá-las em vida. Mesmo agora, numa época de miscigenação, carente de seleção natural, contaminada e repleta de fatores nocivos para o genoma humano, as forças invencíveis e eternas da evolução seguem trabalhando em silêncio enquanto forjam o próximo salto evolutivo. A meta deve ser a criação de uma forma de vida incorruptível, o recipiente perfeito para a chama do espírito em estado puro, pedaços de Ser no mundo do devir. Os melhores elementos genéticos da Civilização Ocidental, que superaram com êxito a prova do frio há muito tempo e que devem superar os descomunais desafios do futuro próximo, estão destinados a ser as mãos de Deus.

A CAÇA NA GENEALOGIA DO HOMEM 

Em um sentido muito real, nosso intelecto, nossos interesses, nossas emoções e nossa vida social básica — são todos produtos da adaptação caçadora. 

(John Reader, “Man on Earth“).

Primariamente é preciso dizer que nos meios científicos paleoantropológicos não há nenhuma dúvida acerca da dieta do homem primitivo ou paleolítico. As dúvidas somente surgem em pessoas desinformadas, ou em vegetarianos\veganos militantes, se não são a mesma coisa. Para compreender o importante papel da carne em nossa evolução, é necessário compreender primeiro a história do consumo de carne entre nossos ancestrais distantes, uma vez que foram eles que forjaram nossa genética atual ao longo de milhões de anos, e podem dizer muito acerca de quais são nossas verdadeiras necessidades nutricionais pré-determinadas biologicamente. É importante desassociar-se daquilo a TV vende e os ditocratas da “nutrição politicamente correta” (para eles a ciência, a genética ou a evolução não importa, o que importa é a economia e o falso moralismo), e retornar nossos interesses para a dieta ancestral para o qual estamos programados.

Nesse apartado iremos examinar os primatas mais próximos de nós evolutivamente, antes de ascender na pirâmide.

  • Os chimpanzés, do qual partilhamos as maiores semelhanças genéticas fora do gênero Homo, comem carniça e inclusive à depredação; eles chegam até a fabricar lanças de caça primitiva, afiando pedaços de pau com os dentes[1]. A primatóloga inglesa Jane Goodall estudou no início dos anos sessenta a atividade de caça entre os chimpanzés do Parque Nacional Gombe da Tanzânia. Atualmente neste parque, a depredação dos grupos de chimpanzés macho custa em torno de 60 e 70 mamíferos ao ano — incluindo outros primatas. Também foi descoberto que eles comem serpentes, camundongos e crias de aves e de réptil. Geralmente, os chimpanzés aproveitam quase todas as partes do animal, incluindo os miolos[2]. Embora o chimpanzé seja o maior macaco inclinado ao carnivorismo e que a carne de caça é um alimento muito apreciado entre eles, ela constitui somente 2% de sua dieta, e os outros 6% correspondem ao consumo de insetos sociais (formigas, cupins, abelhas, larvas, etc.), resultando em 8% de produtos de origem animal em sua dieta.

Para as pessoas em geral é difícil imaginar os chimpanzés como predadores e comedores de carne, mas na década de sessenta, Jane Goodall observou e documentou minuciosamente as atividades de caça entre eles. Hoje, é aceito que a carne é um alimento muito apreciado pelos chimpanzés, mesmo que forma somente 2% de sua dieta, devido as atividades predatórias pouco desenvolvida entre eles. O macaco Colobus-Vermelho (na foto central à direita), parece ser uma presa predileta. Acima na esquerda, Sagu, um chimpanzé macho do Parque Nacional Tai (Costa do Marfim). Nesse parque, tem-se observado que as fêmeas valorizam tanto a carne que se prostituem por ela. Abaixo, uma fêmea com uma cria pedindo carne para um grupo de machos. Quando estão grávidas, as fêmeas aumentam muito o consumo de produtos animais em sua dieta.

  • O Homo habilis, primeiro representante do gênero Homo, claramente chegou a caçar, e se alimentou de girafas, hipopótamos e rinocerontes, e às vezes até comeu certas variedades de Australopithecus. Seu consumo de carne está confirmado pelas análises de coprólitos (fezes fossilizadas). Também foi criada a indústria lítica olduvaiense (ou Modo 1), consistente principalmente em choppersy chopping tools (espécie de machado e machete muito primitivos), para esfolar os animais mortos, desmembrá-los e romper seus ossos. É muito indicativo que, nos sítios dos Habilis, as ferramentas líticas quase sempre vem acompanhadas de ossos de animais quebrados, crânios esmagados e esqueletos com sinais de terem sidos raspados para remover a carne e a gordura do osso. Uma vez que a presença de uma indústria lítica ampla é uma das coisas que distingue o Habilis do Australopithecus, é certo que o consumo de carne havia aumentado drasticamente. Apesar destas inovações, o Homo habilis — relativamente tonto (600 cm3), de constituição muito fina, braços longos ainda bastante adaptados a estar suspensos em galhos, e uma estatura de aproximadamente um metro — era, todavia, uma criatura bastante fraca e indefesa, a mercê dos grandes predadores que os superavam na grande pirâmide alimentar. Por exemplo, sabemos que o Homo habilis era uma presa predileta do Dinofelis (“gato terrível”), um tigre-dentes-de-sabre que viveu na África naquele tempo e que, aparentemente, também se alimentou do Australopithecus, babuínos e outros herbívoros. Esse tipo de predador exerceu um importante trabalho de seleção e em certo modo, foram nossos aliados evolutivos; outro teria sido nosso caminho se não tivessem existido gatos como o Dinofelis.Adentrando em nossa árvores genealógica, sabemos que os Australopithecus (África, por volta de uns 4 milhões de anos atrás) se dedicaram sem dúvida a comer carniça, dado que em seus sítios arqueológicos foram encontrados ossos animais que tinham marcas de utensílios e dentadas de outros predadores. Isso implica que iam ao cadáver de um animal morto ou meio devorado, e utilizavam primitivos utensílios líticos para cortar os tendões e as peles, arrancar a carne, a gordura e os órgãos, e quebrar seus ossos para mastigar o tutano e os miolos[4], órgãos ricos em colesterol e outras gorduras saturadas, que passavam a alimentar o cérebro destes hominídeos. Além disso, as análises dos esqueletos do Australopithecus mostram proporções de estrôncio/cálcio próprias de animais que têm um importante aporte carnívoro na dieta[5]. Outra pista arqueológica constitui nos estudos do microdesgaste dentário dos Australopithecus: os scans com microscópios eletrônicos mostram padrões próprios do consumo de carne, além de grandes quantidades de produtos vegetais[6]. Ainda não há nenhuma evidência sólida que demostre que os Australopithecus caçavam. No entanto se os chimpanzés atuais caçam, é provável de que os Australopithecus “mais evoluídos” que eles, ou seja, mais próximo de nós, o fizessem em maior medida, embora limitados à pressas de tamanho modesto, recorrendo à carniça sobre as de tamanho maior. Por volta de 2,5 milhões de anos atrás, parece claro que o Australopithecus se dividiu por um lado até o gênero Homo e por outro para as diversas variedades de Paranthropus — às vezes consideradas simplesmente tipos de Australopithecus. O gênero Homo estava destinado a encefalização (desenvolvimento do cérebro), a aceleração evolutiva, a depredação e a um aumento do consumo de carne. Os Paranthropus, principalmente herbívoros como evidenciam seus dentes e configurações craniofaciais, desapareceram do registro fóssil.Os gorilas, geneticamente mais distantes de nós, são muito mais herbívoros que os chimpanzés. Seu consumo de frutas é baixo (de fato, o mais baixo dentre todos os grandes macacos), e seu consumo de folhas é elevado, estando seu sistema digestivo muito melhor adaptado para processar a celulose. No entanto, além de comerem formigas, também foi encontrado ADN de macacos pequenos e antílopes nas fezes de alguns gorilas do Parque Nacional de Loango (Gabão), que sugere de uma maneira bastante clara que, ocasionalmente, esses gorilas se dedicam à carniça ou à caça[3]. Nos zoológicos, foi descoberto que os gorilas sofriam de deficiência de proteína, e deviam ser alimentados com carne. Posteriormente foi descoberto que a causa estava na comida desnaturalizada com a qual estavam sendo alimentados, ou seja, produtos vegetais do zoológico que estavam sendo totalmente limpos e que careciam de pequenos insetos e vestígios doutros seres vivos.

As evidências forenses mais antigas (por volta de 2,5 milhões de anos atrás) para a extração de carne com pedras úteis. Esquerda: marca de corte com pedra sobre a mandíbula de um bovino, feita durante a extração de sua língua. Direita: marcas de percussão com pedras efetuadas sobre a tíbia de um bovino durante a extração de seu tutano[7]

  • O Homo erectus (por volta de 1,9 milhões de anos atrás), provavelmente descendente de algum ramo dos Habilis, saiu da África espalhando o gênero Homo pela Eurásia, criando a indústria acheulense (ou Modo 2, principalmente bifasses e similares) e já utilizava o fogo, embora não é claro se para cozinhar. Seu esqueleto era de proporções similares ao dos humanos atuais, exceto no que tange a configuração craniofacial, e é possível que realmente pertencesse a nossa mesma espécie (como foi descoberto recentemente com o Neandertal). Foi o primeiro caçador-coletor nômade, e parece que seu desaparecimento está associado com movimentos migratórios dos grupos de grandes mamíferos. Prova disso é que saiu da África ao mesmo tempo que muitas outras especies animais (como os elefantes antepassados dos posteriores mamutes), coisa que sugere de uma forma bastante rotunda que dependiam destas manadas para seu sustento. O sitio de Olorgesailie (Quênia, por volta de 900-650.00 anos atrás) tem uma grande abundância de fósseis de hipopótamos, zebras, elefantes, girafas e babuínos que foram esquartejados utilizando machados, em enclaves concretos estabelecidos pelo Erectus para essa finalidade. Por volta de 412.000 anos atrás, havia uma raça Erectus caçando elefantes, bisontes e rinocerontes na atual Alemanha [8]. Nos sítios de Torralba e Ambrona (Sória, na Espanha, por volta de 330.000 anos atrás) podemos comprovar que os Erectus se organizavam para provocarestampidose conduzi-las até um precipício. Entre esses restos animais, foram encontrados instrumentos líticos do tipo acheulense, utilizado para desmembrar os corpos caídos. O Erectus teve uma expansão sem precedentes, que o levou a se adaptar a diversos tipos de terrenos e condições climatológicas, diversificando-se em diversos ramos, desde o Homo ergaster (África) até o Homo pekinensis (China), passando pelo Homo georgicus (Cáucaso) e outros. Foi também o hominídeo que durou mais tempo: cerca de 1,6 milhões de anos, até sua “extinção” (mais exatamente evolução) até 300.000 anos. No entanto, alguns indícios sugerem que subsistiram raças Erectus em núcleos isolados (por exemplo, na Indonésia) até uns 50-30.000 mil anos atrás.
  • O Homo antecessor (por volta de 1,2 milhões de anos atrás) poderia ser considerado simplesmente uma raça europeia do gênero Erectus, talvez descendente do Homo ergaster, e em transição para formas hominídeas mais pesadas e árticas, mais europeias. Devido as análises forenses, sabemos que utilizavam ferramentas do tipo acheulense para desmembrar cervos, cavalos e rinocerontes. Foram encontrados marcas idênticas nos ossos do Antecessor, coisa que implica que por volta de 800.00 anos atrás esses indivíduos praticavam o canibalismo de forma habitual, provavelmente com pressas doutras tribos Antecessor. Esse indivíduo é o provável antepassado dos habitantes dos sítios sorianos mencionados.
  • O Homo heidelbergensis (por volta de 500.000 anos atrás) procedem com quase total certeza dos grupos Antecessor e Erectus ibéricos, e é certamente antepassado do Neandertal. Floresceu em plena Glaciação Mindel (a antepenúltima da Era Glacial) e trata-se do primeiro grande caçador de nosso continente com clara adaptação ártica: uma besta medindo entre 1,75 e 1,80 metros de altura e por volta de 100 kg, um esqueleto incrivelmente comprido e robusto, e uma musculatura harmoniosa, coisa que sabemos pelas marcas dos ligamentos e inserções musculares sobre os ossos. Com devida razão ele ganhou o apelido de “Golias” em círculos paleontropológicos. Esses indivíduos não só eram bons caçadores, mas tambémexcelentes carniceiros e anatomistas. As marcas de ferramentas líticas encontradas em ossos de rinocerontes, cavalos, cervos e elefantes nos sítios Heidelbergensis (como Atapuerca na Espanha ou Boxgrove na Inglaterra), atestam que esses animais foram esquartejados de uma forma muito “profissional”. Nas palavras de Michael Pitts e Mark Roberts, dois dos principais escavadores de Boxgrove, “todo animal para o qual há evidências de interferências por parte dos hominídeos, foi cuidadosamente, quase que delicadamente esquartejado, com o propósito concreto de consumir carne“.

    • O Neandertal (por volta de 230.000 anos atrás), como sabemos, era uma raça humana (ou melhor, um conjunto de raças humanas, por volta de três). Em sua época há claras evidências de utilização do fogo para cozinhar carne. Acredita-se que era predador principal de seu ambiente, que sua dieta era quase exclusivamente carnívora, que teve êxito caçando bisontes, cavalos, cervos, cabras e ovelhas, e que estava no topo da cadeia alimentar (parece claro que inclusive caçaram ursos das cavernas, algo que o Homo habilis sequer poderia ter sonhado em fazer). Também praticavam o canibalismo. Este tipo de alimentação não parece ter feito mal ao neandertal, dado que sua constituição óssea era massiva (mesmo que sua estatura em geral era reduzida) e sua capacidade craniana era maior que a do homem moderno. Certos estudos consideram que o Neandertal tinha um nível hormonal privilegiado e que os machos estavam fortemente sexuados, que tinham um desenvolvimento impressionante da musculatura no geral e do braço direito em particular, e que inclusive as fêmeas não eram criaturas muito delicadas precisamente. Através de algumas analises forenses de alguns fósseis, sabemos que os neandertais eram capazes de sobreviver a lesões tremendas (como amputações do braço) e que eram excepcionalmente resistentes ao frio e à dor. Atualmente, considera-se que foram os primeiros em adotar condutas rituais que evidenciavam a presença de uma religião. A maioria dos europeus modernos tem aportes genéticos neandertais e podemos estar muito orgulhosos de ter em nossas veias o sangue de semelhante raça.

    • O Cro-Magnon (por volta de 40.000 anos atrás), antepassado da raça nórdico-branca atual, é, com toda probabilidade, o responsável da “extinção” do Neandertal na Europa, pelo qual sugere que possuía habilidades predatórias superiores. O mesmo sobreviveu ao Último Máximo Glacial, algo que só poderia ter feito tornando-se praticamente carnívoros puros e aumentando muito a proporção de gordura animal na dieta. Suas culturas materiais (Aurignaciano, Solutrense, Magdaleniana e possivelmente Gravetiano) atestam que se tratavam de sociedades que concediam uma enorme importância à caça e também à pesca, assim de que também era capazes de aproveitar absolutamente todas as partes dos animais (pela primeira vez, nasce a indústria de osso, chifres e marfim). Os Cro-Magnon mataram e devoraram mamutes, bisontes, auroques, renas, cervos-vermelhos, camurças, peixes, focas, pássaros, mariscos, etc. Muitos destes animais, que formaram a base de sua vida e de sua evolução, tornaram-se imortalizados e homenageados nas primeiras pinturas rupestres, magníficos afrescos que evidenciam um refinadíssimo conhecimento anatômico. De novo, essa dieta produziu uma constituição física privilegiada, uma estatura altíssima (mesmo que um esqueleto menos comprido que o do Neandertal), um maxilar praticamente do mesmo comprimento que o crânio, alta capacidade craniana e uma musculatura muito desenvolvida (de novo, menos que o Neandertal).

Cro-Magnon 1. De todas as culturas do Paleolítico, as culturas cro-magnons sem dúvida são as que evidenciam uma maior importância da caça, a carniçaria e as armas. Note o comprimento da mandíbula, logo dissertaremos sobre isso.

Durante a mudança climática da deglaciação por volta de 12.000 anos atrás, o Cro-Magnon migrou para o Norte enquanto perseguia as manadas de animais. Depois de cruzar a França, acabou nas margens do Mar do Norte, no Sul da Escandinava, na planície germano-polaca e na bacia do Báltico. Por causa do aumento da temperatura e da extinção da grande megafauna paleolítica (mamutes, rinocerontes-lanudos, etc.), a proporção de comidas vegetais deve ter ascendido um pouco a custa das comidas animais durante o Mesolítico. Os microlitros das culturas mesolíticas na Europa Ocidental (Aziliense, Sauveteriense, Tardenoisiense, Asturienseetc) mostram que o tamanho dos animais caçados diminuiu drasticamente para aquela época, e que os tempos do mamute, rinoceronte-lanudo e do bisonte já haviam ficado para trás. No entanto, os descendentes do Cro-Magnon na Europa continuaram sendo caçadores-coletores até que chegou a agricultura em seus territórios por volta de uns 7.000 anos atrás. Mais tarde, eles, que estavam acostumados lidar com tigres-dentes-de-sabre, urso-das-cavernas e outros temíveis predadores, foram vítimas de uma nova forma de depredação para o qual não estavam preparados: o parasitismo.

O tempo de nossa evolução desde os primeiros hominídeos, contanto os anos AP (Antes do Presente). Esse diagrama ajuda a dar uma ideia de dois fatos: 1) A evolução que deu lugar as raças modernas foi um processo extremamente longo, durante o qual nunca foi deixado de comer carne, pelo contrário, o consume de carne foi aumentando com o tempo a medida que evoluíamos. 2) A civilização humana é uma areia no deserto do tempo e pode ser varrida pelos poderes da Natureza sem deixar nenhum registro.

Recapitulemos

Nossos antepassados comeram carne por volta de 3 milhões de anos, pelo menos. Isso equivale a 150.00 gerações.

Nossos antepassados exerceram a caça de forma consumada e intensa por volta de 500.000 milhões de anos, pelo menos. Isso equivale a 25.000 gerações.

Nossos antepassados cultivaram cereais e comeram seus amidos (açúcares complexos que precisam decompor-se e transformar-se em açúcares simples, como fazem os herbívoros com a celulose) por volta de 8.000 anos, chutando alto. Isso equivale a somente 400 gerações de agricultura. Esse tempo não é suficiente para desenvolver mecanismos de adaptação para uma dieta tão distante da natural, e levando em conta de que desde que a agricultura nasceu, a seleção natural decaiu, a integridade genética necessária para a evolução foi fazer gargarejos e ademais, o registro fóssil revela uma drástica diminuição da qualidade biológica devido a uma alimentação deficiente. Isso supõe a entender que, se por ventura nós adotássemos geneticamente a uma dieta como a atual e a uma vida de sedentarismo, seria operado um retrocesso em nossa evolução. Portanto, se há um componente antinatural na dieta humana moderna e que deveria ser extirpado, não seria precisamente a carne, mas os grãos de cereais, os amidos e todos seus derivados, além doutros produtos artificiais da atual indústria alimentícia (azeites hidrogenados, açúcares refinados, edulcorantes artificiais, conservantes, colorantes e um desagradável etc.), extremamente nocivos para a saúde.

Os zoológicos sabem que a inteligência é quase sempre maior em animais carnívoros e onívoros que simplificaram a complexidade e reduziram o gasto metabólico de seus intestinos — isto é, do baixo ventre. Mesmo assim, nas relações tróficas, os predadores são quase sempre mais inteligentes (e muito mais ágeis, rápido de reflexos e com sentidos muito mais aguçados) que os animais dos quais se alimentam. A maior parte dos animais mais inteligentes, como o cachorro, gato, golfinho, orca, javali, porco, polvo, chimpanzé, corvo ou o falcão (muito poderia ser dito também acerca dos inteligentíssimos predadores extintos, como o velociraptor) são todos predadores carnívoros ou onívoros. O mesmo sucede com as variedades humanas mais evoluídas e de maior capacidade craniana que têm existido — o Neandertal e Cro-Magnon.

O HOMEM ESTÁ “PROGRAMADO” PARA SER CARNÍVORO OU HERBÍVORO?

Nenhum. A anatomia humana atesta de que não somos completamente carnívoros ou herbívoros, mas, como todo mundo sabe, onívoros, adaptados a comer tanto produtos animais como vegetais — com diferentes nuances segundo as raças humanas, as latitudes geográficas e a estação do ano.

No entanto, é muito interessante constatar a direção evolutiva que tomou o ser humano desde os primeiros hominídeos, pois o mesmo ia aumentando cada vez mais a proporção de carne em sua dieta, até propiciar uma série de características interessantes que o diferenciam dos herbívoros e tendem a aproximá-lo dos carnívoros. Estas características são mais notáveis entre as raças nórdicas modernas, que durante o Paleolítico tiveram que depender muito mais da carne que outras raças humanas, devido ao clima das regiões que habitaram (o Sul da Europa no caso dos nórdicos-brancos, Ásia Central no caso dos nórdicos-vermelhos) não oferecia uma grande abundância de produtos vegetais, no entanto, abundava em megafauna (grandes mamíferos).

Em “The Stone Age Diet“, o doutor Walter L. Voegtlin, compara detalhadamente o aparato digestivo do ser humano com o de cachorros e ovelhas, demonstrando que, anatomicamente, o sistema digestivo humano é bastante próximo do cachorro. Além de mencionar algumas destas diferenças, adicionaremos outras que passaram despercebidas.

Vamos então, dissertar sobre as particularidades anatômicas do ser humano que podem dizer algo a respeito de sua “vocação nutricional”.

1) Trato digestivo. O primeiro a colocar em conta aqui é que o tecido vegetal é mais difícil de processar que o tecido animal. A celulose é a biomolécula orgânica mais abundante no planeta, mas também é complexo de obter energia dela. Os herbívoros, portanto, necessitam de um trato digestivo extremamente longo e complexo para fermentar e decompor eficientemente longuíssimas cadeias de açúcares, talvez os carboidratos mais complexos que existem. As ovelhas têm uma proporção de comprimento do trato digestivo/tamanho corporal de 1/27, ou seja, seu trato digestivo é 27 vezes mais longo que seu tamanho. A proporção das vacas é de 1/20, e dos cavalos de 1/12.

No entanto, os animais carnívoros têm um trato digestivo curto e com fortes sucos gástricos ácidos para favorecer a decomposição das proteínas sem que a carne apodreça. A proporção do trato digestivo intestinal do gato é de 1/3, e do cachorro de 1/5. A proporção humana se encontra por volta de 1/6-1/7, coisa que coloca-nos no meio caminho entre os cavalos herbívoros e os cachorros carnívoros, no entanto, mais perto destes últimos.

Entre todos os primatas, os humanos possuem o trato digestivo mais curto, pelo qual certos estudos concordam que nosso cérebro aumentou de tamanho à medida que nossos intestino diminuíram de comprimento. Isso é porquê, de nossos órgãos, o cérebro é o que consome mais energia (por volta de 20-25% do “orçamento” metabólico de nosso organismo). O sistema digestivo é o segundo esbanjador de energia de nosso corpo. Reduzindo o trabalho do sistema digestivo adotando a alimentação carnívora, favorecemos que o cérebro pudesse pegar uma maior porcentagem de nosso “orçamento” metabólico. Em suma, quando o baixo ventre perdeu peso, aumentou o do intelecto. E vice-versa: quando o baixo ventre ganha demasiado protagonismo, é colocado na “conta” do cérebro. Qualquer pessoa que passe por uma digestão pesada e problemática, logo perceberá que carece da habitual acuidade mental, devido que as vísceras estão roubando a energia do cérebro.

Dado que as raças humanas se distinguem por diversas diferenças anatômicas, além das psicologias, seria de grande valia que realizassem estudos pormenorizados sobre o metabolismo e sistema digestivo segundo a composição racial. Por exemplo, que medissem o comprimento do trato digestivo das raças tropicais e comparasse com as raças nórdicas. O mais provável, especialmente tendo em conta as capacidades cranianas envolvidas (as raças tropicais são de baixa capacidade craniana, as raças nórdicas, especialmente a vermelha, são de alta capacidade craniana) é que as tropicais o tenham um pouco mais comprido, adaptado à uma dieta volumosa repleta de fibras vegetais, enquanto que as nórdicas o tenham um pouco mais curto, adaptação à carne.

No entanto, não devemos conceder o comprimento do trato mais atenção que ele merece. É mais importante o peso das vísceras, a existência de um estômago simples e ácido, a proporção do intestino delgado em relação ao grosso, o tipo de células do intestino, a atrofia do apêndice cecal, a falta de funcionalidade digestiva do ceco à flora bacteriana e a superfície da absorção intestinal (que por sua vez, depende da densidade das vilosidades intestinais). Os mencionados fatores, de novo, assemelham os humanos aos carnívoros e onívoros.

2) Flora bacteriana. Os herbívoros não podem produzir sucos gástricos capazes de dirigir as celuloses vegetais, pelo qual, dependem de bactérias e protozoários que vivem no estômago (ou estômagos), e no intestino. Como todos sabem, as bactérias podem decompor e comer praticamente qualquer coisa (plástico, asfalto, petróleo, pedras etc.) e, ao atacar as celuloses, transformam substâncias complexas (amidos, celuloses, cadeias de carboidratos extremamente longas, moléculas grandes) em substâncias simples, mais facilmente absorvíveis (açúcares, moléculas pequenas). Os herbívoros tem uma forte dependência da flora bacteriana fermentadora, pois sem ela não podem sobreviver. Os carnívoros, no entanto, carecem praticamente de flora bacteriana devido à acidez dos sucos digestivos, que as mata (esse é o motivo pelo qual um carnívoro pode alimentar-se de carniça infestada de bactérias). As poucas bactérias intestinais que os carnívoros podem ter tendem a se concentrar no intestino groso, e são de natureza putrefativa,não fermentadora. Os seres humanos, como onívoros, têm a flora bacteriana (embora apenas no intestino), mas é incapaz de digerir as celuloses vegetais (também somos incapazes de digerir cereais ou leguminosas, a menos que sejam cozinhadas), e nossa dependência delas é muito menor pronunciada.

3) Estômago. O estômago humano tem uma capacidade por volta de uns dois litros, igual do cachorro (a ovelha tem um estômago com uma capacidade por volta de 32 litros). Diferente dos estômagos herbívoros, o nosso carece praticamente de protozoários e flora bacteriana, devido a sua acidez. A própria acidez do estômago humano é outro argumento a favor da adaptação cárnea, dado que é o pH ideal para a decomposição das proteínas animais. É certo que o estômago do ser humano é menos ácido que dos superpredadores clássicos, mas também é certo que o ser humano supriu o ardor do ácido digestivo pelo ardor do fogo: cozinhara carne tornou ela muito mais digestível e aumentou sua biodisponibilidade. Controlar o fogo e o cozinhamento, como veremos a seguir, incidiu mais que o aumento da capacidade cranial dos hominídeos primitivos.

4) Vesícula biliar. A vesícula biliar, que fica próxima do fígado, armazena e concentra a bílis, um suco digestivo alcalino produzido pelo fígado para atacar os ácidos graxos fazendo-os mais acessíveis para a digestão. Os carnívoros e onívoros têm a vesícula biliar bem desenvolvida devido à importante quantidade de gorduras animais em sua dieta. Os herbívoros, pelo contrário, tem uma vesícula humana muito reduzida, quando não totalmente ausente. O ser humano tem uma vesícula biliar bem desenvolvida, e por isso é plenamente capaz de digerir grandes quantidades de gorduras animais.

5) Ceco e apêndice cecal. Os humanos, como os carnívoros, perderam a função herbívora originaria do ceco e do apêndice cecal, que foram reduzidas a uma mínima expressão, a um canto do intestino grosso. Tanto é assim que o apêndice cecal atualmente é retirado sem problemas pois é considerado um órgão vestigial atrofiado (embora é provável que exerça uma função endócrina e/ou imunológica, já não relacionada com a digestão; que a medicina moderna retire ele tão alegremente não deixa de ser uma aberração). Nos herbívoros, contudo, o ceco exerce importantes funções de armazenamento e fermentação de massa alimentícia antes de ser mandada definitivamente ao intestino grosso. É como uma bolsa temporária em que os microrganismos intestinais decompõem as membranas das paredes celulares das celuloses vegetais para liberar seus nutrientes e obter carboidratos mais simples (em última instância, açúcares). Mesmo depois desse processo, a digestão em muitos herbívoros não está completa devido à robustez e baixa biodisponibilidade dos produtos fibrosos vegetais, e devido a que, depois do ceco, o intestino grosso não é capaz de absorver todos os nutrientes produzidos pelas bactérias. Por esse motivo, muitos herbívoros não-ruminantes (como os coelhos) produzem dois tipos de excrementos. Os primeiros são macios e úmidos, e são comidos para que os nutrientes sem digerir passem de novo pelo intestino para poder assimilá-los durante uma segunda e definitiva digestão. Os segundos são as familiares decomposições secas, que já passaram duas vezes pelo intestino. Tanto ruminar como comer excrementos frescos são coisas bastante distintas dos hábitos humanos naturais.

Esquema que mostra a diferença entre o sistema digestivo de um carnívoro puro (chacal) e de um herbívoro puro (coala) não-ruminante (os ruminantes são ainda mais diferentes dos carnívoros em tantos aspectos que têm um estômago com quatro “câmaras” para processar melhor os alimentos). Ambos animais tem tamanhos quase iguais. Note o ceco (cecum) do herbívoros em comparação com o carnívoro, assim como o maior comprimento do intestino grosso herbívoro e menor comprimento de seu intestino delgado. Ganha um ponto para quem adivinhar qual destes aparatos digestivos é mais similar ao humano.

6) Intestino grosso. O intestino grosso herbívoro é longo, tem protozoários e flora bacteriana e desempenha uma importante função digestiva, pois terminam de fermentar e absorver os nutrientes da massa vegetal ingerida. Ao contrário, o intestino grosso dos carnívoros é curto para evacuar o quanto antes a massa alimentícia de carne e gordura antes que entrem em putrefação, e não desempenha função digestiva alguma, mas apenas serve para reter água e sais, evitando que evacuem com as substâncias residuais. O intestino grosso humano, curto, com pouco ceco, com flora bacteriana putrefactiva (em vez de fermentadora) e sem função digestiva alguma, está muito mais próximo do modelo carnívoro.

O maxilar é uma peça chave da alimentação, que oferece muitas pistas acerca das dietas. Quanto maior o herbivorismo nos primatas, mais largo são os ossos zigomáticos quando vistos de frente, mais estreito é o maxilar quando visto de frente e mais largo quando visto de perfil. Isso é devido que o “centro de morder” nos herbívoros se encontra atrás, sob os molares, para triturar bem os tecidos vegetais. Isso exige uma constituição robusta da parte de trás do maxilar. Em vez disso, com o aumento do consumo de carne, a mastigação prolongada perde protagonismo e o “centro de morder” se move pra frente, o que exige uma constituição robusta da região frontal do maxilar, especialmente do queixo.

7) Mandíbula. A mandíbula dos herbívoros está adaptada aos movimentos laterais e circulares para “moer” as rudes fibras vegetais, utilizando molares claramente planos, como acabamos de ver. Os carnívoros têm mandíbulas adaptadas aos movimentos verticais, com molares de superfície “rugosa” para triturar e amaciaras carnes. A mandíbula humana está mais próxima do modelo carnívoro, tanto é que utilizamos, especialmente, os movimentos verticais — embora, como bons onívoros, também somos capazes de mover nossa mandíbula lateralmente, para a frente e para trás.

O Paranthropus boisei foi batizado de nucracker ou “quebra nozes” pois seus imensos dentes molares (quatro vezes maiores que os nossos) quase planos, sua configuração facial e craniana, seus ossos zigomáticos extremamente largos quando vistos de frente, seu esmalte dental grosso, a mandíbula retraída, larga quando vista de perfil e estreita quando vista de frente, e a musculatura temporal evidenciada pela crista sagital, sugeriam um indivíduo de um formidável poder de mastigação, para romper e moer nozes, sementes, raízes sujas de terra e incluso algumas pedrinhas. Em vez disso, seus dentes frontais são reduzidos a mínima expressão, uma vez que praticamente não exerciam trabalhos de corte e rasgo. No entanto, o ramo Homo perdeu o tamanho dos molares pouco a pouco, os ossos zigomáticos foram estreitando cada vez mais, o maxilar diminuiu de tamanho quando visto de perfil, mas quando visto de frente alargou e dentre outros. Essas mudanças evolutivas culminaram com o homem do Cro-Magnon, o qual teve uma cultura de orientação fortemente caçadora. Atualmente a raça humana com o maxilar mais largo é a nórdica-vermelha.

O que nos interessa nesta série de desenhos (Erectus, Neandertal e Cro-Magnon) é prestar atenção nos ossos zigomáticos (os “cantos” que sobressaem a ambos lados, à altura dos pômulos) e no maxilar inferior. Os ossos zigomáticos ficam cada vez mais estreitos. O maxilar fica cada vez mais largo quando visto de frente e cada vez mais estreito quando visto de perfil, devido aos deslocamento do “centro de morder” desde atrás (mastigação) até na frente (arranque).

Crânio de um africano predominantemente cónguido. Note seu maxilar inferior estreito e compare com o Cro-Magon


8) Musculatura craniofacial e capacidade craniana
. Os carnívoros têm uma musculatura facial mais reduzida, já que interfere com a abertura das fauces, enquanto que os herbívoros (pensemos no cavalo) têm rostos musculosos, para passar grande parte do dia mastigando e ruminando, posto que devem triturar a comida em pedaços muito pequenos para aumentar sua superfície de exposição a flora bacteriana e aos sucos digestivos. Atualmente, incluso os chimpanzés, que são os grandes símios mais carnívoros, passam uma média de seis horas por dia simplesmente mastigando. Os hominídeos mais primitivos e adaptados à uma rude dieta de fibras (como o Paranthropus robustus) tinham tamanha musculatura facial que precisavam de ossos zigomáticos extremamente salientes quando vistos de frente, assim como uma crista óssea sobre o crânio (a crista sagital) para poder “enganchar” os tendões de poderosos músculos temporais. Esses músculos “espremiam” o crânio impedindo que aumentasse de tamanho. Nós, a medida que evoluímos, fomos perdendo musculatura facial, e agora já não temos rastros da crista sagital (a abóbada pentagonoide sagital do Homo erectus, como o crânio pontiagudo da raça armênia, são talvez vestígios da crista sagital de temos remotos). O aumento de produtos carnívoros em nossa dieta (assim como a postura erguida, que relaxou os músculos da nuca), ajudou a reduzir o tempo que passávamos mastigando ao dia, assim como relaxar a musculatura do rosto e do crânio.

Esse interessante estudo [9] de Stephen Wroe acerca do nível da força e desgaste exercido sobre o crânio pelos músculos mastigadores, compara o gibão, orangotango, chimpanzé, gorila, Australopithecus africanus, Paranthropus boisei e “humano moderno”. Como mostrado na ilustração, quando se trata da região frontal do maxilar (uma região própria de carnívoros e de movimentos frontais de arranque e rasgo), a força exercida pelo ser humano é muito maior que qualquer outro primata. Ou seja, que os humanos podem “arrancar e rasgar” com maior força que aquela que os outros primatas “mastigam”. Seria muito interessante poder adicionar mais crânios (especialmente do Homo habilis, doo Neandertal e do Cro-Magnon) para poder traçar um padrão de evolução linear. Se isso for feito, o mais garantido é que se veja como, desde os Australopithecus, a região de maior força vai mudando desde atrás até a frente proporcionalmente ao aumento da ingestão de carne na dieta, resultando finalmente na aparição do queixo, um traço bastante moderno evolutivamente falando. Atualmente as raças humanos com o queixo mais desenvolvido são as nórdicas, especialmente a vermelha. Na morfopsicologia, o queixo forte indica um caráter forte.

10)  Fogo, carne e encefalização. Quando os músculos mastigadores deixaram de “espremer”o crânio numa jaula muscular [10], o crânio se viu livre pra crescer, e com ele, o cérebro. Esse processo se incrementou quando descobrimos o fogo e aprendemos a cozinhar a carne, primeiro porque o trabalho de mastigação se reduz ainda mais, e segundo porque o calor aplicado com moderação e cuidado rompeu as longas cadeias de proteínas, fazendo-as mais acessíveis para as enzimas digestivas, e por tanto, economizando ainda mais substância vital e energia metabólica. Também converteu praticamente em gelatina o colágeno da pele, que em seu estado natural é muito difícil de digerir. Depois de aprender a cozinhar os alimentos animais (supostamente na época do Neandertal, embora o mais provável é que já na época do Erecuts), nossos antepassados estavam alimentando-se com a comida mais concentrada, biodisponível e nutritiva de toda a Natureza, pelo qual repercutiu em maior energia calorífica, uma melhor qualidade biológica e do desvio dos processos de construção até o aumento da talha esquelética e até os tecidos de aparição evolutiva recente, como o neocórtex do cérebro.

A dedução inevitável destes últimos dois pontos é que se tivéssemos ficado no clima quente da África com uma dieta estritamente herbívora, nunca teríamos sido capazes de aumentar a capacidade craniana. Seguiríamos sendo outra espécie de primatas que perde seis horas por dia mastigando fibras vegetais como ovelhas, com o crânio aprisionado por uma jaula muscular que impede a evolução do cérebro. Portanto, podemos dizer, literalmente que comer carne (e especialmente, gordura, órgãos, tutano e cérebro), nutriu nosso sistema nervoso, aumentou nossa inteligência e nos fez humanos, um fato atualmente muito contrastado pela ciência, basta pesquisar por dieta paleolítica.

Desde o Paleolítico Superior, perdemos 11% de capacidade craniana (8% ao longo dos últimos 10.000 anos). Isto é devido em parte ao advento da agricultura — que provocou uma drástica diminuição dos alimentos animais na dieta — e também pela mescla com raças de menor capacidade craniana, como a armênia e as raças tropicais. Também é provável que tenha havido funções cerebrais desconhecias que foram atrofiando com o tempo devido à falta de utilização. Atualmente a raça humana com maior capacidade craniana é a nórdica-vermelha, seguido da nórdico-branca.

11) Engenho, audácia, valor, vontade, paciência, sentido ritual. O engenho dos herbívoros não é muito estimulado, dado que seu alimento está por todas as partes e adquiri-lo não implica grandes esforços. Mas os animais não são frutas que repousam quietamente em alguma árvore e que deixam arrancar com facilidade; caçá-los exige toda uma gama de qualidades sobressalentes. Por esta razão, predadores tendem a ser criaturas fora de série em termos de agudez dos cinco sentidos, força explosiva, agilidade, elasticidade e habilidades de rastreamento. Muitas vezes a predação exige um pensamento detalhado, planejar com antecedência, visualização de possibilidades e resolução de problemas, pensamento estratégico, não deixar rastros, e segundo as espécies, coordenar-se com os demais membros da manada. Quanto mais difícil de ganhar o alimento for, geralmente maior é o engenho, a inteligência, o espírito de equipe e o potencial físico envolvido. Nenhuma caça foi tão demandante e desigual como a dos grandes mamíferos da Era Glacial. Para matá-los era necessários conhecer suas rotas migratórias, seus costumes, suas reações, viajar longas distâncias, manter uma vida nômade, mover-se furtivamente, ter em conta o vento para não ser detectados pelos cheiro etc. Para piorar as coisas, também exigia um grande trabalho, valor e engenho a elaborar armas, preparar armadilhas, coordenar as operações de ataque, e muitas vezes lutar corpo a corpo com o animal, desmembrar um cadáver enorme, transportar toda a carne, preparar com sua pele roupas para proteger-se do frio e concebe métodos eficazes de armazenamento da carne para épocas de escassez. Por causa de tudo isso, os caçadores da Era Glacial deviam ser verdadeiras máquinas de matar, indivíduos bastantes austeros, disciplinados e trabalhadores, acostumados não a buscar o prazer fácil ou a gratificação imediata, mas as grandes vitórias obtidas pela vontade. O caçador típico é um homem com claras virtudes paramilitares, que não espera que tudo desse certo, mas que ele devia consegui-lo, pela força se necessário. Como entre os caçadores-coletores atuais, em torno do abatimento e da consumação da presa deveriam florescer grandes quantidades de rituais.

12) Lábios. Os herbívoros têm lábios carnudos (pense no camelo), enquanto os carnívoros têm lábios finos (pense no lobo) para evitar interferências na hora de arrancar a carne. Aqui entra em jogo a biodiversidade humana atual, uma vez que as raças tropicais têm lábios grossos, enquanto que a raça armênia e as raças nórdicas, especialmente a vermelha, têm lábios finos.

13) Sucos gástricos. O sistema digestivo humano produz ácido clorídrico (HCI), uma substância ativadora de enzimas que decompõe proteínas animais, e os animais herbívoros praticamente carecem dessa substância. Nosso pâncreas segrega uma grande variedade de enzimas digestivas para assimilar tanto comidas animais como vegetais, mas o sistema digestivo humano não produz nenhuma enzima (como a celulase) ou ácido capaz de digerir a celulose; se nos perdêssemos num bosque seriamos incapazes de sobreviver comendo plantas e folhas. No entanto, nossa eficácia digestiva para com os nutrientes aos quais estamos adaptados é de 100%, como os carnívoros. Os herbívoros, pelo contrário, somente digerem uma reduzida proporção de tudo que comem, descartando todo o resto, pelo qual defecam muitas vezes ao dia, quase de forma constante, e suas decomposições são muito volumosas. A eficácia digestiva da ovelha, por exemplo, é inferior a 50%, apesar de passar o dia ruminando e defecando, e de ter um sistema digestivo complexo e com um trato digestivo comprido.

14) Fase REM do sono. A fase REM (Rapid Eye Movement, ou “movimento rápido dos olhos”) é a quinta fase do sono, também chamada de “sono paradoxal”, e se trata de uma aparição evolutivamente recente. Curiosamente, ainda não é conhecida sua funcionalidade, embora as tradições rituais antigas consideravam que durante o sono havia uma “janela” estreita durante a qual era possível produzir um desdobramento astral a acessar o sobrenatural. O que a ciência sabe ao certo é que esse período do sono é a “fase dos sonhos”: durante o REM nossos olhos se movem e nossa córtex cerebral (neocórtex, o tecido celular mais moderno de nosso corpo) registra índices de atividade eletromagnética tão ou mais elevado que quando estamos despertos.

Embora o tema possa ser bastante debatido ainda, o que nos importa aqui é que a fase REM é uma característica particularmente desenvolvida nos predadores carnívoros, especialmente naqueles cujas crias são vulneráveis, dependentes e indefesas (portanto, em espécies de maturação lenta, tal como é a nossa). Os herbívoros, que de certa forma devem “dormir com os olhos abertos” para estar prevenidos contra predadores, não podem se dar ao luxo do REM — afundar num sono profundo os torna vulneráveis. O ser humano, pelo contrário, é talvez o animal mais sonhador (embora o tempo do sono REM a cada noite vai decaindo desde que somos bebês até a velhice), e o que registra maior atividade eletromagnética no neocórtex enquanto dorme, coisa que nos aproxima dos carnívoros. No entanto, atualmente, devido a hábitos de vida antinaturais, dietas inadequadas ou consumo de alimentos industrializados, falta de exercício físico, falta de exposição ao Sol e às intempéries, contato com disruptores hormonais e campos eletromagnéticos artificiais, ionização positiva e presença de substâncias tóxicas que alteram a neuroquímica do cérebro, há muitos indivíduos que, como os herbívoros, passam grande parte de sua vida sem experimentar uma fase de sono REM. Muitos afirmam não ter sonhado absolutamente nada há anos.

15) Proporções de alimentos vegetais/alimentos animais nos caçadores-coletores atuais. A proporção de produtos vegetais e produtos animais na dieta dos caçadores-coletores é muito discutida, posto que esses homens vivem no Paleolítico, são os seres humanos atuais que têm mais sintonia com a lei natural, e portanto, podem brindar-nos com muitas ideias acerca da dieta de nossos antepassados.

Esse homem é um caçador-coletor bosquímano do sudoeste da África, e de composição racial predominantemente khoisan (perfil facial quase vertical, lábios mais finos que o congoide “negroide”, queixo pontiagudo, ausência de ponte nasal e de prognatismo, uma constituição física extremamente delgada e leve, uma musculatura seca e uma pele marrom-amarelada, bem mais clara que a do negro subsaariano médio). Sua tribo é uma das 229 sociedades caçadoras-coletoras que ainda existem no planeta. A raça khoisan, mesclada com hominídeos distintos, é a antepassada da raça cônguida, pigmeu, mongol e armênia

Atualmente são muitos os escritos que afirmam que, na dieta das etnias caçadoras-coletoras, a proporção média de calorias obtidas de produtos vegetais é de 65%, correspondendo o restante em 35% de produtos de origem animal. Esses escritos parafraseiam uma publicação do antropólogo Richard B. Lee intitulada “Man the Hunter” (estranho título, considerando a tese que defende). A publicação é do ano 1968 e, para demonstrar a época hippie e pró-comunismo a qual pertence, seu autor tenta deixar claro que as sociedades caçadoras-coletoras são “igualitárias” devido a “falta de propriedades materiais” (como se as posses fossem a única coisa que diferencia os homens). No entanto, o que nos ocupa desse livro não é sua filosofia política pacifista-vegetariana, mas sim a asseveração do ratio 65-35 para produtos vegetais/produtos animais.

Em tempos recentes, o doutor Loren Cordain, um dos grandes especialistas em paleodieta, examinou o livro de Lee em busca de incongruências. Colocou em marcha uma análise informativa de uma dieta caçadora-coletora típica usando o ratio “65/35” para alimentos vegetais/animais. Perplexo, descobriu que para um caçador-coletor obtivesse 65% de suas calorias necessárias de fontes vegetais disponíveis, cada indivíduo teria que coletar aproximadamente 6kg de vegetação por dia, um quadro pouco provável, pra não dizer impossível. Depois de ter feito esse descobrimento, o dr. Cordain repassou os cálculos da publicação original de Lee, pondo em evidência uma série de pontos desconfortáveis:Atualmente são muitos os escritos que afirmam que, na dieta das etnias caçadoras-coletoras, a proporção média de calorias obtidas de produtos vegetais é de 65%, correspondendo o restante em 35% de produtos de origem animal. Esses escritos parafraseiam uma publicação do antropólogo Richard B. Lee intitulada “Man the Hunter” (estranho título, considerando a tese que defende). A publicação é do ano 1968 e, para demonstrar a época hippie e pró-comunismo a qual pertence, seu autor tenta deixar claro que as sociedades caçadoras-coletoras são “igualitárias” devido a “falta de propriedades materiais” (como se as posses fossem a única coisa que diferencia os homens). No entanto, o que nos ocupa desse livro não é sua filosofia política pacifista-vegetariana, mas sim a asseveração do ratio 65-35 para produtos vegetais/produtos animais.

  • Lee somente usou 58 das 181 sociedade caçadoras-coletoras em sua lista
  • Uma importante parte das sociedades “descartadas” eram de etnias norte-americanas (como grupos esquimós) no qual o consumo de alimentos animais era altíssimo.
  • Não incluiu em seus cálculos os alimentos animais obtidos da pesca.
  • Classificava a busca e consumo de marisco como “arrecadação”, adjudicando portanto um caráter vegetal a alimentos como o polvo, o caranguejo, as ostras, etc.
  • Como se isso não bastasse, o Ethnographic Atlas, no qual se baseou, considerava “arrecadação” colher e comer fauna terrestre pequena (insetos, invertebrados, larvas, vermes, pequenos mamíferos, anfíbios e répteis) com o qual atribuía à categoria “vegetariano” um monte de calorias de origem animal.

Depois de dar-se conta destes assuntos, o dr. Cordain parou na edição do Ethnographic Atlas de 1997 (o qual representa 1.267 sociedades humanas do planeta, dos quais 229 são caçadoras-coletoras) e refez seus cálculos. Utilizando todas as sociedades caçadoras-coletoras, e colocando o e mariscado na categoria correta de “caça”, descobriu que os valores “65/35” estavam invertidos: a proporção real de produtos animais\vegetais era de 35/65 em média. Apenas 13,5% dos caçadores-coletores do planeta derivam mais da metade de suas calorias da colheita de produtos vegetais: se trata de sociedades tropicais com uma superabundância de alimentos vegetais (portanto, pouco representativas dos antepassados do europeu moderno) e onde os alimentos animais não superam 40% do total de suas calorias — uma porcentagem que ainda é bastante elevada em comparação com as dietas modernas.

Esse gráfico representa as 299 sociedades caçadoras-coletoras atuais, distribuídas segundo a porcentagem de dependência de produtos animais.

Essa interessante tabela proporciona uma relação entre as etnias caçadoras-coletoras atuais, a latitude em que habitam e a porcentagem de produtos animais e vegetais em sua dieta. É revelador comprovar como as sociedades com maior consumo de produto animais são árticas, enquanto que as sociedades com maior consumo de produtos vegetais são as tropicais.

Essas estatísticas, que são bastante reveladoras, inclinariam ainda mais a balança em favor das fontes animais se o Ethnographic Atlas não colocasse os animais pequenos na categoria “vegetal”, e se examinássemos somente as etnias que vivem em condições ambientais semelhantes ao dos antepassados dos europeus modernos.

CONCLUSÃO

A significância da pré-história para a humanidade, no ano 2000, é tudo o que somos hoje — nossas grandes realizações culturais, nosso potencial de crescimento, nossas realizações em capital humano e biológico — são um produto dessa pré-história.

(Vernon L. Smith, “Humankind in Prehistory: Economy, Ecology and Institutions“).

  • Somos uma espécie onívora.
  • O uso de armas e ferramentas para matar animais ou defender-se, cortar carne e quebrar ossos, o consumo de carnes, gorduras, tutano e órgãos cozinhados procedentes da carniça,o canibalismo e especialmente predação, e a atividade de caça e tudo o que o rodeia, julgaram um papel importantíssimo em nossa evolução. Nos pouparam o trabalho de ter que desenvolver dentaduras carnívoras ou garras que teriam entorpecido nosso trabalho manual. Evitaram o aparecimento de sucos gástricos que acidificariam nosso corpo limitando o desenvolvimento esquelético. E finalmente, liberaram nosso crânio da opressão dos músculos mastigadores, permitindo que nosso cérebro crescesse, nutrido por gorduras animais de alta qualidade, como as dos miolos, do tutano, da medula, dos testículos e utros órgãos.
  • De todos os primatas, somos os mais adaptados ao carnivorismo e a caça.
  • A raça humana mais dada aos alimentos animais segundo sua morfologia crâniomandibular e pela provável climatologia de seu Urheimat evolutiva é a nórdico-vermelha, seguida da nórdico-branca e mongol.
  • A natureza havia colocado o homem no alto da pirâmide trófica antes do advento da agricultura. A agricultura provocou a caída do homem do alto da pirâmide.
  • Os paleoantropólogos sabem agora que incorporar carnes e gorduras à dieta e começar a cozinhá-las depois, poupou muita energia calórica a nossos antepassados, já que a digestão, especialmente a digestão de produtos vegetais fibrosos, é um processo que consome muita energia e que demanda um sistema digestivo extraordinariamente complexo. Comer carne cozida, um alimento muito denso em nutrientes e de alta biodisponibilidade, permitiu simplificar o sistema digestivo, e assim desviar toda essa energia metabólica para a produção de calorias para combater o frio, para a construção de tecidos em geral (corpos cada vez maiores) e para a criação de matéria cinzenta em particular (aumento do tamanho do cérebro).
  • Durante a época em que vivíamos conforme o plano de Deus, estivemos acumulando um capital genético fabuloso. A posterior “História” tal e como a conhecemos, não é senão a dilapidação irresponsável e suicida desse capital enquanto se multiplicam os tipos humanos defeituosos mercê à exploração do engenho, da inteligência e da compaixão da elite genética.
  • Os herbívoros, de certo modo, são os “idiotas” do mundo animal, que sacrificaram sua capacidade cerebral em prol de constituir sistemas digestivos incrivelmente complexos e caros em termos metabólicos, para poder digerir a matéria orgânica mais abundante, e inextinguível, do planeta: a celulose. Os carnívoros são audazes e inteligentes por conta de pouparemestes custosos trabalhos digestivos comendo diretamente os herbívoros, e substituindo como fonte calórica principal os açúcares pelas gorduras, que são um combustível mais concentrado, efetivo e denso.

O filme “2001 – Uma Odisseia no Espaço” aborda a evolução humana desde uma perspectiva curiosa. Durante um alinhamento astral (soa a melodia de “Also Sprach Zarathustra” de Richard Strauss), se produz o amanhecer do homem: Deus se manifesta a um grupo de primatas herbívoros africanos, que após a “revelação”, mudam de comportamento, adotando o uso de armas-ferramentas e o consumo de carne.

Eduardo Velasco


NOTAS

[1] http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2007/02/22/AR2007022201007.html

[2] http://www.allaboutwildlife.com/what-do-chimps-eat

[3] http://www.plosone.org/article/info:doi/10.1371/journal.pone.0009419

[4] http://www.landispr.com/documents/ZerayComprehensiveCoverageClipsasof8.11.10.pdf

[5] – goo.gl/SHR1YY

[6] http://www.canibaisereis.com/download/protein-debate-cordain-campbell.pdf

[7] http://www.canibaisereis.com/download/protein-debate-cordain-campbell.pdf

[8] http://www.ecotao.com/holism/hu_habilis.htm

[9] “The craniomandibular mechanics of being human”, Stephen Wroe et. al., 2010.

[10] http://home.gwu.edu/~sherwood/2006.MYH16.Reply.JHE.pdf

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