Democrática Província do Dinheiro

Os grandes capitalistas consolidaram seu sistema econômico quando convenceram o povo de que os políticos mandavam no mundo. Quando cada cidadão acreditou que os governos de fato governavam, então foi aí que o capitalismo se firmou.

As pessoas, então, limitaram suas lutas ao voto. Porque estava claro, se eram os políticos que administravam e decidiam, então bastava ao povo controlá-los. Por meio da democracia representativa, os cidadãos escolheriam os administradores da sociedade e limitariam seus poderes.

Parecia o melhor dos mundos. Pela primeira vez, o povo teria realmente o poder. E o que mais poderíamos querer? Antes éramos servos dos nobres, agora seríamos os senhores da sociedade. A ideia do governo do povo e para o povo tomou nossos corações. A república democrática nos daria uma sociedade racional e justa.

Os plutocratas nos enganaram direitinho. Ocultaram de nós que o verdadeiro poder emana do controle sobre a economia. Que o dono de um banco tem mais poder nas mãos do que um congresso inteiro de políticos. E que os próprios políticos nada mais eram do que os empregados dos verdadeiros donos do mundo.

Enquanto os cidadãos gastavam suas forças e energias odiando o político X e amando o político Y, a plutocracia construía seu poder e o governo paralelo que hoje governa o mundo de fato.

Foi mais fácil do que tirar doce de criança. Os capitalistas perceberam desde o início o que os nobres ignorantes jamais notaram, a opressão aberta não é apenas uma ameaça contra os oprimidos, mas também contra o poder dos opressores. É mais seguro para os opressores que os oprimidos acreditem estar no poder.

Não estou querendo diminuir qualquer responsabilidade que os políticos possam ter nos problemas do mundo, até porque, é muito comum o capitalista ser ao mesmo tempo o político que cria as leis. É claro que o Estado é decisivo nesse jogo de cartas marcadas, cuja as regras são distorcidas contra nós. Como disse o grande pensador Friedrich Engels: “O Estado moderno, qualquer que seja sua forma, é uma máquina essencialmente capitalista, é o Estado dos capitalistas, o capitalista coletivo ideal”.

Nada vai mudar, pelo menos não enquanto acreditarmos que o voto trará qualquer liberdade ou mudança real. Os verdadeiros donos do mundo jamais permitirão qualquer mudança real. Eles controlam todas as grandes empresas, todos os bancos, todas as melhores terras; eles também controlam todos os parlamentos e tribunais; e é claro, controlam também a mídia. Eles podem destruir a economia de um país que não se curve a eles com uma única ordem. Assim, se quisermos uma mudança real, precisamos antes de tudo derrubar aqueles que impedem que as mudanças aconteçam.

Carlos Everardo Silva, do Centro do Socialismo

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